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Memórias da Resistência à ditadura na UnB

Você já ouviu falar em Paulo de Tarso Celestino da Silva e Ieda Santos Delgado? Advogados formados pela Faculdade de Direito da Universidade de Brasília, constam da lista de 390 pessoas oficialmente reconhecidas pelo Estado brasileiro, em 1996, como desaparecidos políticos produzidos pela ditadura civil-militar de 1964-1985.

Importante mencionar que, embora desaparecidos quando já eram advogados, foi no movimento estudantil da UnB que Paulo de Tarso e Ieda iniciaram sua corajosa militância.

É por desconhecermos esse tipo de história que se tornam ainda mais importantes os encontros que serão realizados na UnB nesta semana, como parte da construção da memória de resistência de estudantes, professores e servidores técnico-administrativos da universidade à ditadura. Seguem abaixo o convite da organização e matéria do site da UnB. Segunda-feira, às 10h da manhã, estarei lá para ouvir os relatos. Imperdível!


O mês de agosto tem uma forte carga simbólica para a Universidade de Brasília, devido ao seu papel na luta pela resistência democrática, política e cultural à ditadura militar. Em Agosto de 1968 a UnB sofreu mais uma ocupação por tropas militares, onde teve suas instalações depredadas, estudantes presos, professores humilhados e a autonomia universitária desrespeitada. Foi em agosto também, só que do ano de 1979, que a Ditadura foi obrigada a aprovar a Anistia Política que, embora parcial, possibilitou o retorno de exilados e banidos políticos da época e o ressurgimento dos partidos políticos.
Nesse contexto, com a aproximação dos 50 anos da Universidade de Brasília e da Faculdade de Direito – FD/UnB, o Programa de Memória Institucional (ProMI/UnB) juntamente com o Comitê pela Verdade, Memória e Justiça do Distrito Federal com apoio do Centro Acadêmico do Direito (CADIR/UnB), Diretoria de Esporte, Arte e Cultura(DEA) e do Diretório Central dos Estudantes (DCE/UnB) buscam resgatar a memória e a história de todos os que já passaram por aqui, em especial a história de dois alunos que se formaram nessa Faculdade, a Ieda Santos Delgado e o Paulo de Tarso Celestino da Silva, reconstruindo fatos, experiências e transformações vivenciadas nesse ambiente ao longo dos anos da Ditadura.
Para isso, estamos organizando um encontro a ser realizado nos dias 29, 30 e 31 de agosto, com o intuito de evidenciar as memórias da resistência desse período tão caro a nossa sociedade. Cada ex-aluno e aluno da UnB tem uma história de vida e uma série de experiências para compartilhar. Esse encontro de ex-alunos que vivenciaram esse período, de professores e de estudiosos no tema da resistência à Ditadura Militar e da Lei Anistia tem como objetivos principais a troca de experiências e opiniões e o resgate da memória da nossa universidade, em especial da nossa faculdade. É um evento muito importante para uma melhor compreensão da nossa identidade.

Centro Acadêmico do Direito- Cadir/UnB
Comitê pela Verdade, Memória e Justiça do Distrito Federal
Diretório Central dos Estudantes- DCE/UnB
ProMI – Programa de Memória Institucional da Faculdade de Direito da UnB

ENCONTRO MEMÓRIAS DA RESISTÊNCIA
Dia 29 de Agosto de 2011
Local: FA – Faculdade de Estudos Sociais Aplicados – Universidade de Brasília. Auditório Joaquim Nabuco- Campus Darcy Ribeiro
Evento: Palestra
Horário:10:00h

Dia 30 de Agosto de 2011
Local: Anfiteatro ICC Sul – Campus Darcy Ribeiro
Evento: Exibição do Filme Barra/68
Horário:12:00h

Dia 31 de Agosto de 2011
Local: Teatro de Arena- Campus Darcy Ribeiro
Evento: Aula de Inquietação
Horário:10:00h

http://www.unb.br/noticias/unbagencia/unbagencia.php?id=5561

MEMÓRIA – 26/08/2011

Encontro resgata histórias da ditadura na UnB

Professores e alunos que testemunharam os “anos de chumbo” reconstituem os caminhos da universidade até a democracia
Thais Antonio – Da Secretaria de Comunicação da UnB

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Em agosto de 1968, sob a égide da ditadura militar, a UnB sofreu uma das inúmeras ocupações ordenadas por militares no período. Onze anos mais tarde, também em agosto, o Regime Militar aprovou a Lei da anistia que, embora parcial, possibilitou o retorno de exilados políticos ao Brasil.

São as lembranças de dias de fúria, mas também de glória, que José Prates pretende trazer à UnB nesta segunda-feira, 29 de agosto, no encontro A UnB e a resistência à Ditadura Militar. “Essa universidade é a que eu sonhei”, declara. “Me sinto como um aluno honoris causa ou um professor honoris causa. Se tem uma coisa que marcou a minha vida para sempre, foi a Universidade de Brasília”.

Ex-presidente da Federação dos Estudantes da UnB – atual DCE –, José Prates fará palestra no mesmo dia em que também falarão o reitor José Geraldo de Sousa Junior e representantes da Faculdade de Direito, do Programa de Memória Institucional, do Diretório Central dos Estudantes e do Comitê da Verdade, que organizam o evento de três dias.

José Prates foi aluno do Departamento de Arquitetura e Urbanismo de 1963 a 1970. Depois de se exiliar em cinco países – Argentina, Chile, Peru, França e Guiné-Bissau –, retornou à universidade em 2003, para concluir a graduação. “Me formei com os filhos dos meus companheiros de luta”, diz Prates, hoje prefeito de Salinas, em MG. “Estudar na UnB significou a oportunidade de entender o Brasil da maneira como ele deveria ser. Aqui era um grande espaço onde isso era discutido e, portanto, deveria ter sido preservado”.

Para ele, a UnB foi o ponto de concentração da elite brasileira que quis repensar o Brasil em todos os setores. “Físicos, linguistas, cientistas sociais, engenheiros, biólogos, geólogos, arquitetos, todos pensavam o espaço brasileiro, o solo brasileiro, o subsolo, as riquezas e o nosso povo. Por isso foi tão visada pela ditadura militar”.

PROGRAMAÇÃO – No dia 30, será exibido o filme Barra 68 – Sem perder a ternura, do cineasta Vladimir Carvalho. O documentário reconstrói a invasão de 1968 a partir de relatos de professores e estudantes, testemunhas oculares dos dias em que as salas de aula se tornaram trincheiras.

Pouco antes da Aula da Inquietação, no dia 31, a organização do encontro exibirá um painel com uma nota de dinheiro da “República dos Desaparecidos do Brasil”, com o rosto de Honestino Guimarães, estudante da UnB desaparecido em 1973. Os nomes de Ieda Santos Delgado e Paulo de Tarso Celestino da Silva, também alunos da UnB jamais encontrados, serão lembrados com os 395 desaparecidos políticos que a ditadura tentou fazer esquecer.

Todos os textos e fotos podem ser utilizados e reproduzidos desde que a fonte seja citada. Textos: UnB Agência. Fotos: nome do fotógrafo/UnB Agência.

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  1. Parabéns pelo blog. Infelizmente, estarei fora de Brasília até o dia 30. Não ouvirei o Prates, meu contemporâneo na UnB. O site Honestino Guimarães traz relatos e documentos sobre a UnB na época da ditadura. Estou preparando um livro – um trabalho que já dura cinco anos – sobre Honestino. Nele é traçada a cena do movimento estudantil universitário em Brasília, onde a liderança de Honestino se forjou. Abordo também, mais brevemente, as histórias de Ieda e Paulo de Tarso.
    Abraços fraternos,

    Betty Almeida

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  2. Paulo de Tarso Celestino da Silva não foi presidente da FEUB.

    Responder
  3. Peço ao responsável que retire a informação de que Paulo de Tarso foi presidente da FEUB. Segundo Luiz Carlos Pontual, o segundo presidente da Federação dos Estudantes da Universidade de Brasília, passaram pela presidência da FEUB: Rubem Azevedo Lima, Luiz Carlos Pontual, Tadeu Gama, Artur Geraldo Vicente Maria, Gabriel Thomaz, Mauro Burlamaqui, Honestino Monteiro Guimarães e José Antonio Prates. Houve ainda alguns interinos, como Marcus Vinicius Goulart Gonzaga, Joaquim Nobre de Lacerda Neto, Saint- Clair Souto, Paulo Speller, Samuel Babá e Wílon Wander Lopes, mas Paulo de Tarso, como confirmou sua noiva, nunca ocupou a presidência da FEUB, o que em nada desmerece seu histórico de luta e militância política.

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